Madame Satã

Presença marcante da boemia na Lapa na primeira metade do século XX. Transformista, nos anos de 1940 tornou-se referência no Carnaval como Madame Satã, personagem que encarnava travestido.

NaturezaPrivada

SubtipoPopular

Ramo de AtividadesTransformista

Local de NascimentoGlória do Goitá - Pernambuco

Data de Nascimento25/02/1900

Data de Falecimento1976

BiografiaJoão Francisco, pernambucano, mais conhecido como Madame Satã foi um transformista, personagem emblemática da vida boêmia e marginal da Lapa na primeira metade do século XX.
Foi criado numa família de 17 irmãos, chegou a ser trocado pela mãe quando criança por uma égua. Ainda jovem foi para Recife, e posteriormente, mudou-se para o Rio, indo morar na Lapa. Vivia de bicos, carregador de marmitas, cozinheiro e segurança. Os fatores de sua imagem marginalizada foram os fatos, ser negro, pobre e homossexual.
Dotado de índole irônica e extrovertida, logo pegou gosto pelo Carnaval carioca. E em 1942, ao desfilar no bloco de rua "Caçador de Veados" fantasiado de Madame Satã, inspirado em filme homônimo de Cecil B. DeMille, acabou recebendo o apelido que o imortalizou. Nos anos 40 tornou-se referência no Carnaval como Madame Satã, o personagem que encarnava travestido e que lhe valeu o título de Rainha do Carnaval por três vezes.
Frequentador assíduo da Lapa cuidava para que as meretrizes não fossem vítimas de estrupo ou de agressão. Era um exímio capoeirista, valentão, muito conhecido e respeitado por seu murro de esquerda e por isso, diversas vezes preso, chegando a ficar confinado no presídio da Ilha Grande. A maioria de suas detenções foram por desacato à autoridade pelos seus constantes enfrentamentos com a polícia que combatia a prostituição, narra-se que lutou por diversas vezes contra mais de um policial, geralmente em resposta a insultos que tivessem como alvo, mendigos, travestis, prostitutas e negros.
Com idade avançada faleceu na Ilha Grande logo após a sua última saída da prisão.
Foi sepultado no cemitério da Vila do Abraão e em sua lápide consta uma foto em preto e branco de 1975 com seu nome completo e apelido, data de nascimento e de sepultamento.
Considerado uma referência na cultura marginal urbana do século XX, teve um filme sobre sua vida, rodado no Brasil, em 2002, que levava o seu nome. O filme recebeu prêmios nacionais e internacionais. Neste filme, João Francisco foi interpretado pelo ator Lázaro Ramos.
Um bom livro para consulta sobre sua bibliografia é: DURST, ROGÉRIO. Madame Satã: com o diabo no corpo. Reprint. São Paulo, Brasiliense, 2005, 80 pp., ill, b&w photos, 12 mo, bds (Encanto Radical, nº 68). 1st ed.,1985.

 

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